EXPO. NO MEU SANTO BAR


MEU SANTO BAR fica no Bixiga, é um bar boêmio típico do centro de São Paulo. Ali aconteceu minha primeira exposição. Como o bar segue um estilo bastante intimista e rústico produzi uma série de quadros baseada em uma idéia bem simples: momentos e expressões cotidianas regadas de cores muito vivas e destacadas. Essa foi minha melhor forma de realizar, ao mesmo tempo um contraste com o estilo rústico do bar, um contraponto ao cinza da cidade e também uma maneira de trazer à tona imagens familiares de pessoas comuns com um toque do meu próprio estilismo.

Utilizei fotografias de várias pessoas conhecidas e procurei separar bem as cores de forma a criar imagens vivas e bastante expressivas. Procurei trabalhar as cores de maneira caricatural, mas sem perder de foco a imagem que continham as fotos. Em outras palavras, não queria perder os rostos, as feições, queria que todos fossem capazes de reconhecer nos quadros o rosto de amigos e, por muitas vezes, os seus próprios enquanto coloria de forma a dar meu próprio tom às suas expressões.

A exposição seguiu no período de quatro semanas – de 24/09 a 15/10 – com um adendo muito importante: as pinturas ao vivo! Durante este período, semanalmente, contei com alguns convidados nas noites de quinta-feira para realizar uma segunda forma de intervenção artística um pouco mais ousada. Minha idéia era proporcionar ao público a experiência de assistir ao processo completo da produção de imagens, enquanto me propunha a um desafio pessoal. Desafiei-me a permear os estilos de meus quatro convidados – muito diferentes entre si e de mim – pintando, com eles, a quatro mãos.

Minha primeira convidada foi Yra Rebellato, pintora e amiga, com um estilo que permeia o impressionismo e o abstracionismo de pinceladas rápidas e traço esfumaçado. Fiz uma proposta à ela: que me deixasse esboçar uma figura em cinco traços e ela partiria daí, assim, quem sabe, poderíamos integrar minhas idéias figurativas à sua liberdade expressiva. Iniciamos com uma tela negra, com isso procurando inverter o caminho da construção. Ao invés de caminhar do claro para o sombreamento, fizemos o contrário, partindo da sombra para a iluminação do quadro. Conseguimos, ao final, uma bela Fênix de tons muito vivos que acabou por sobrepor completamente o negro da tela.

Na segunda semana, contei com meu amigo Rafael Lucena, grafiteiro de Santo André, com seu estilo agressivo, escorrido e desorganizado. Utilizando muita texturização e contraste de cores e formas, unimos uma de suas figuras femininas a uma estampa de caveiras e rosas que desenvolvi pensando no graffiti. Destacamos bastante o fundo e finalizamos com uma cena obscura e repleta de elementos.

Meu terceiro convidado foi uma escolha peculiar, Francesco Micieli (Cesco) é um desenhista e aceitou o desafio de utilizar as tintas e os pincéis pela primeira vez comigo, ao vivo. Começamos com ele desenhando livremente sobre a tela branca, como se fosse uma folha de papel, para depois transformarmos sua idéia com as minhas tintas. Nos demos bem e conseguimos um belo desenho colorido e estilizado.

Finalizando minha exposição, contei com uma convidada muito especial: Carolina Maciel, mais conhecida como Magrela, é grafiteira em São Paulo e tem seus trabalhos espalhados por toda a cidade. Foi um presente poder pintar com ela, já que sempre admirei seus trabalhos antes mesmo de conhecê-la. Magrela tem uma temática singular, sempre pintando figuras femininas com uma distorção fluida, repleta de ondulações e de cores que oscilam entre o mórbido e o quente. Para nossa parceria propus um contraste, colocando ao lado de sua mulher caótica, ondulada, expressiva e fluida, um homem angular, inexpressivo, rígido e frio. Conseguimos uma integração que só pode ser descrita pela própria imagem.

Assim terminou o percurso dessa exposição, cheia de cores, diferenças e produções tão distintas! Agradeço ao Renan e à Taty, que me cederam o espaço com tanta liberdade, aos meus convidados que considero artistas tão talentosos, aos amigos – e claro a ela – que estiveram presentes para se reconhecerem em minhas telas e pelos meus olhos e finalmente a todos aqueles que me prestigiaram nessa primeira jornada!


Para Ver todas as fotos do evento basta clicar na galeria da exposição no Meu Santo Bar, ao lado!





Nyro!

BIOGRAFIA


Desenho desde quando me entendo por gente. Sempre fui apaixonado por desenho, histórias em quadrinhos e grandes pintores. Nunca cheguei a freqüentar escolas de arte, não realizei nenhum curso de desenho, a única coisa que fiz nesse sentido foi um curso de arte finalização e desenvolvimento de Logotipos em Corel Draw, o resto todo obtive por minha própria conta e risco.


Claro, tive muita ajuda nisso. Muitos amigos desenhistas, pintores, tatuadores e grafiteiros. Mas procurarei detalhar melhor esse trajeto. Comecei como todos começam: copiando. Mas enquanto todos começam copiando desenhos de histórias em quadrinhos e, principalmente, com livros de mangá, eu comecei com uma paixão particular: adoro animais, quase me tornei biólogo. Então comecei copiando as fotos dos animais que encontrava nas enciclopédias, o que me serviu bastante como treino de observação. Depois, claro, quando comecei a trocar informações e técnicas com meus amigos de infância, fui apresentado ao mangá! Mas isso não durou muito tempo, pois, tendo sido sempre um admirador de tatuagens, conheci muitos tatuadores. Logo eu estava passando minhas tardes nos estúdios de meus amigos, fazendo esboços e desenvolvendo estampas com eles, posso dizer que minha maior experiência surgiu daí.


Depois decidi utilizar as técnicas de estêncil que aprendi nos estúdios de tatuagem para experimentar uma nova forma de arte: passei a experimentar a reprodução de fotos! Logo obtive bons resultados e comecei a tentar alguns trabalhos como retratista – o que faço até hoje. Paralelamente estudei arte por meio dos livros, tomei contato com o desenho artístico, as principais escolas de pintura, conheci as grandes tendências e acabei me enamorando da arte contemporânea. Ainda hoje sigo nos meus estudos em design, graffite, pop art e tudo mais com que tomo contato e me causa admiração.


Conheci alguns grafiteiros e, finalmente, fui encorajado por um amigo, Rafael Lucena, a começar alguns testes com tinta. Logo tomei contato com o nanquim e a tinta acrílica, também com as técnicas de graffiti. Não trabalho (ainda) com aerografia, mas isso definitivamente está nos meus planos.


Me considero bastante eclético quanto às referências que utilizo em meu trabalho, mas posso citar como minhas principais: Salvador Dali, Andy Warhol, David Downton, Iman Maleki. No graffiti, Os Gêmeos, Chivitz, além de meus amigos Rafael Lucena e Magrela. Poderia citar referências por páginas e mais páginas, mas espero que meu trabalho possa falar por si mesmo. Tenho trabalhado com retratismo, também tenho feito alguns Live Paintings e, atualmente, estou começando a realizar trabalhos utilizando o graffiti na decoração de interiores.


Por fim, estou bastante aberto para fazer novas parcerias e para dialogar com quem quer que se interesse pelo meu trabalho. Sinta-se à vontade e não hesite em me mandar um e-mail!




Milton Nuevo de Campos NETO - Nyro!